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Problemas de Aprendizagem – Por que existem pessoas que tem problemas para aprender?

volta-as-aulasÉ muito comum encontrar escolas e pais que não sabem o quê fazer com aquele aluno ou filho que tem uma certa dificuldade para aprender os conceitos das aulas. Grande parte das instituições de ensino, sobretudo as escolas da rede publica ,não contam com serviços de psicologos ou psicopedagogos para auxiliar esses individuos

Em um primeiro momento, podemos analisar superficialmente o problema de aprendizagem como uma dificuldade em absorver informação. Os motivos são multifatoriais. Pode ser desde um problema de visão simples de se corrigir com o uso de óculos ,como pode ser mais complicado como a Dislexia necessitando tratamento psicologico, psicopedagógico e dependendo do caso medicamentoso.

Ao se fazer referência às dificuldades de aprendizagem não se pode perder de vista a presença de distorções inerentes ao próprio sistema educacional e às influências ambientais que funcionam como contexto para as manifestações comportamentais e as peculiaridades do indivíduo que pode apresentar, no sistema escolar, o sintoma de não aprender (Linhares, 1998; Marturano, Linhares & Parreira, 1993).

As escolas ou qualquer outra instituição de ensino tendem a estigmatizar o aluno que esta tendo baixo rendimento, supondo que é um problema do proprio aluno. Hoje com os avanços da Psicologia da Educação, sabemos que o Ambiente tem muita importancia. Grande parte das escolas tendem a ignorar o problema, colocando no aluno toda a culpa por seu baixo desempenho, encaminhando o para psicologos que acabam não achando nada errado. Quando se faz uma caracterização do Ambiente, entendemos claramente os motivos dos problemas de aprendizagem que a instituição atribuiu unicamente ao aluno.

Ao constatar individuos com problemas de aprendizagem, é importante verificar qual é o ambiente que esse individuo esta inserido. Ele tem todos os materiais apropriados para aprender ? Essa pessoa possui algum problema emocional ou organico que a impedem de fixar atenção nas disciplinas ? Sera que esse ambiente é favoravel ao aprendizado?

Enfim, existem inumeras questões antes de colocarmos a culpa no aluno. Analisando grande parte dos casos que chegam aos consultorios dos psicologos, entendemos que grande parte do problema esta no ambiente e não no individuo. Existem formas de ensino que são mais eficientes para transmitir conhecimento. Uma dessas propostas é a Abordagem Comportamental.

Se você esta tendo dificuldades em entender os conceitos da sua escola, faculdade ou trabalho, pare uns minutos por dia. Comece a pensar em como é o seu ambiente de trabalho, como é o seu ambiente na faculdade ou na escola. É um ambiente acolhedor ? Aconchegante ? Iluminado ? Os professores parecem animados ao ensinar? Como esta a sua vida ? Esta muito ansioso ? Um periodo de mudanças ou mesmo de Stress com algo?
Caro leitor, o problema de aprendizagem não é uma sentença, muito pelo contrario, definindo as causas reforçadoras para o não aprender, podemos planejar estrategias de intervenção eficientes para a mudança comportamental do não aprender.Claro que dependendo do caso é sempre recomendado procurar um Psicologo qualificado para discutir as questões que o perturbam e restalebecer seu foco.
Alguns problemas são especialmente dificeis de se resolver sozinho, nesses casos é muito importante que um psicologo seja consultado. As vezes o problema é mais facil de se resolver do que se pensa.
O importante é que você o resolva e alcance todos os seus objetivos.

Por : Marcelo C. Souza

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Psicologia e Qualidade de Vida.

Por que fazer psicoterapia ???

Atualmente o mundo desafia nosso equilíbrio. Precisamos ter saúde física e psicológica para lidar com uma grande variedade de problemas que a modernidade nos traz: Stress no trabalho, problemas na escola, problemas afetivos e sociais.
Nem sempre é possível lidar com tudo isso sozinho. Perdemos nosso bem-estar quando o peso dos problemas é maior do que podemos suportar.
Por isso a ajuda de um profissional é tão importante.

A Psicoterapia Analítico Comportamental

É uma modalidade de Psicoterapia baseada na Ciência Comportamental, que tem como pressuposto o fato de que o comportamento é produto da relação entre o indivíduo e o ambiente. O trabalho do terapeuta, Analista do Comportamento, é descobrir com seu cliente os eventos do ambiente que determinam e mantém um comportamento problema.
O Terapeuta entende que o cliente é único, e seus problemas ou dificuldades são produtos de uma história particular. Isso humaniza o processo de terapia, pois se compreende cada cliente dentro de sua história de vida.

Pesquisa científica e rigor na coleta de informações, aliadas às técnicas específicas e comprovadas, fazem da Terapia Analítico Comportamental uma das mais eficientes e com os benefícios mais duradouros.

Por : Marcelo C. Souza

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Transtornos Alimentares : Anorexia Nervosa

 

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Um dos grandes problemas que assolam o mundo é sem duvida a desnutrição. Estamos sempre vendo em programas de TV e campanhas de ONGS os povos de países muito pobres, principalmente os Africanos, que em muitos lugares acabam até morrendo de fome.

Porem outro problema tão grave quanto a desnutrição é a obesidade. Muitas pessoas tendem a estigmatizar o obeso como uma pessoa que passa o dia todo comendo e que portanto, a única causa de seu problema ( Muitas vezes chegando a ser fatal ) é sua preguiça de fazer exercícios ou mesmo não ter força de vontade para diminuir os alimentos ingeridos.

Enquanto psicólogo e cientista devo dizer que dados mostram que não é tão simples assim. Temos inúmeros problemas que podem contribuir desde transtornos psicológicos sérios a distúrbios hormonais e neurológicos.

Os transtornos alimentares estão categorizados na Classificação Internacional de doenças e é considerado um transtorno que causa sofrimento intenso e pode levar a morte. Mas antes vamos falar um pouco do ambiente que pode induzir esse tipo de problemática ?

Pois bem, quando falamos em uma sociedade ocidental, estamos falando basicamente em capitalismo, indústrias e uma rede inteira de consumidoras ávidas por produtos que vão as deixar mais bonitas e com maiores probabilidades de serem aceitas em um circulo especifico de amizades.

A indústria, principalmente a da moda tende a manter um padrão estético que é especialmente difícil e punitivo para que mulheres e homens que não são modelos possam seguir. Junte o padrão estético das modelos internacionais que são magérrimas com uma cultura coercitiva onde o status e o visual são muito mais importantes que a saúde…

Já temos ai um ambiente propicio para que a Ansiedade, depressão e os transtornos alimentares apareçam.

O transtorno alimentar pode ser definido como severas alterações no comportamento de se alimentar. Os tipos mais comuns do problema são a Anorexia e Bulimia nas mulheres e atualmente tem se dado muita importância a Vigorexia nos homens.Estatísticas mostram que quase 90% dos casos de anorexia e Bulimia são de indivíduos do sexo feminino.

 A Anorexia Nervosa é definida como a negação de se alimentar causando Caquexia ( emagrecimento intenso ) por uma auto-imagem distorcida. Geralmente nas Anorexias o transtorno dismórfico Corporal também esta envolvido, pois a pessoa se recusa a se alimentar justamente pelo fato de se ver como obesa, sendo que esta abaixo dos limites mínimos de IMC para sua idade / altura.

Os sintomas mais comuns nos anoréxicos são: medo intenso de ganhar peso e, portanto faz dietas severas, geralmente são muito ansiosas e depressivas e são extremamente preocupadas com sua imagem. Possuem uma sensibilidade muito grande ao frio já que a gordura também serve como isolante térmico e são amenorreicas, ou seja, tem a menstruação interrompida.

Os anoréxicos por realmente acharem que estão muito acima do peso (mesmo estando muito abaixo do seu IMC mínimo) desenvolvem diversas técnicas para não ganhar peso ou para perdê-lo. Podem também induzir vômitos quando comem pequenas porções de comida ou usar laxativos.

A grande diferença entre o Anoréxico e o Bulimico é que o anoréxico não come por se achar gordo e, portanto precisa perder peso e o Bulimico tem ataques de compulsão alimentar, ou seja, comem tudo o que podem em um breve período de tempo e logo após costumam induzir o vomito ou então se utilizar de laxativos potentes para que a comida não possa ser absorvida pelo organismo e, portanto o peso estaria sendo controlado.

O tratamento deve ser feito o mais rápido possível, pois não é raro que anoréxicos percam tanto peso e continuem se achando obesos que podem chegar ao quadro de inanição. O corpo não consegue mais funcionar por falta de nutrientes e quando se chega a Inanição o índice de mortalidade é alto.

Se não for tratada a tempo, pode trazer prejuízos permanentes ao corpo como problemas Renais e cardíacos que podem levar a morte. O tratamento é multidisciplinar geralmente feito com Médicos, Psicólogos e Nutricionistas.

A Anorexia é um problema serio que leva a morte e justamente por isso que pais, amigos e responsáveis devem estar sempre atentos, pois a diferença entre uma preocupação saudável com saúde e peso corporal não pode ser confundida com uma redução drástica e rápida de peso quando não se existe nenhum problema com o IMC.

É sempre importante estar atento. Se alguem amigo, filhos ou parentes apresentarem sintomas de Anorexia como distorção de imagem corporal, dietas severas por longos periodos, perda de peso muito acentuada em curto periodo de tempo entre outros é conveniente observar e se for possivel encaminhar a um médico ou psicólogo para que seja feita uma orientação e se for o caso iniciar o tratamento.

Por : Marcelo C. Souza

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Ciumes em uma visão Analitico Comportamental

Mas afinal, o que seria o ciúmes ?

Podemos dizer que o ciúmes aparece onde alguma situação serve como sinalizador que o reforço não vai ser apresentado. O parceiro interpreta um estimulo como sendo um aviso que vai perder o objeto reforçador e portanto emite todos os operantes para evitar a perda dos reforçadores ( geralmente respostas aversivas e agressivas modeladas por contingências na historia de vida da pessoa ) e respondentes pareados a processos de extinção que o organismo já sofreu anteriormente.

Diante dos estímulos sinalizadores que são descritas como responsáveis pelo ciúme, muitas vezes a pessoa acaba emitindo operantes como:

Fazer inúmeras perguntas a (o) parceira (o); proibir de sair; brigar; chorar; etc. Situações estas que, certamente são aversivas para o outro (a) parceiro (a). A fim de tentar amenizar a situação, este acaba, sem perceber, reforçando o comportamento dito “ciumento” ao dizer frases como: “eu te amo”,” você fica linda ciumenta”, “não precisa se preocupar, jamais te trocaria por ninguém”; ao enumerar as diversas qualidades do “ciumento”, ao oferecer presentes e/ou qualquer outras provas de amor; bem como atender as determinações do ciumento. Em médio prazo o(a) esposo(a) faz uma ligação entre o comportamento ciumento e reforçadores. Portanto as chances do comportamento ciumento ser mantido e aparecer mais vezes é muito maior. Nesse caso ensinamos que quanto mais a pessoa for ciumenta, maior é o cuidado e carinho ela recebe e portanto menor é a chance do(a) parceiro(a) o abandonar.

 

Por outro lado o (a) Esposo (a) pode se utilizar da mais pura fuga / esquiva e fingir que não esta ouvindo nada e ignorando todo o jogo agressivo e manhoso do ciumento, entrando em ação o processo de extinção. E é ai que a coisa aperta, já que por definição quando um organismo é colocado sob uma contingência de extinção a resposta vai sofrer um grande aumento, pois o organismo vai variar o comportamento buscando que o reforçador seja novamente apresentado. Se já existe uma história previa de que ser ciumento leva ao recebimento dos reforçadores a coisa piora mais ainda. Muitos casais acabam se separando ou tendo brigas intensas por esse motivo. Quando os terapeutas de casal dizem que a conversa entre os parceiros tem um grande papel nas reconciliações, eles não estão errados.

 

Tanto em uma situação ( reagir com carinho ou apatia ) vai elevar a freqüência das respostas de ciúmes. Tanto uma quanto a outra por reforçamento negativo, já que a intenção do parceiro não é prolongar a briga e nem recompensar o comportamento de ciúmes. A única intenção nesses momentos é fugir de uma situação aversiva. Mas esse procedimento acaba aliviando o parceiro rapidamente, mas aumenta a probabilidade de acontecer novamente. Aumenta progressivamente a pressão dentro do relacionamento, podendo chegar uma hora onde a briga é inevitável.

 

Mas e se virar briga, o que fazer?

A resposta é complicada. Se atender estará aumentando a freqüência das perguntas, proibições, brigas, choro, etc. Se não atender, corre o risco de ter que enfrentar uma briga ainda maior ou mesmo o fim do relacionamento. Antes de tudo, precisamos pensar em qual é a função do comportamento ciumento. O que esta por trás de todas as brigas, gritos e choros. A topografia da resposta é particularmente inútil para se entender o que se passa. Devemos ter em mente que o ciumento aprendeu a ser ciumento. Seja por reforçamento positivo, negativo ou por um ambiente coercitivo onde se tornar ciumento, briguento e desafiador foram as únicas formas de sobrevivência que o sujeito encontrou para se relacionar com o meio.

 

Um dos principais erros que acontecem quando falamos de extinção de comportamentos ciumentos é que o processo acaba nunca chegando ao fim. O que geralmente acaba acontecendo é que a extinção acaba se convertendo em um esquema de razão variável. O parceiro tenta extinguir o comportamento ciumento ignorando, mas acaba não resistindo e reforça intermitentemente, dando flores, levando pra jantar ou então tentando “colocar panos quentes a situação”.

 

Talvez antes de virar briga, o procedimento mais correto seria expor ao parceiro os motivos de descontentamento. Seja do ponto de vista do ciumento ou seja o ponto de vista do parceiro. É importante um falar e o outro escutar e juntos chegarem a um acordo sobre as situações que despertam ciúmes no parceiro.

 

E se a briga virar agressão física?

Quando se passa de brigas verbais para agressão física o relacionamento não tem mais chances de se tornar saudável ou reestruturado sem a ajuda de um Psicólogo qualificado. Seja em terapia de casal ou mesmo psicoterapia individual, tanto para agressor quanto para o agredido.

Sabemos que casais se completam, tanto em aspectos positivos quanto em negativos. É necessário entender a função do relacionamento e dos comportamentos de ciumes dentro da história de aprendizagem no casal. Quais foram seus modelos ? Como o casal aprendeu sobre o que é um relacionamento ? Os modelos foram saudaveis ?

 

Todas essas perguntas são importantes para se entender e ter um panorama de como o casal se formou. Todo comportamento possui uma função, inclusive o comportamento violento ou ciumento. É importante os terapeutas enfatizarem que a agressão é inaceitável e o agressor tem total responsabilidade sobre seus atos. Tanto pela violência quanto pelo fim dela. É necessária uma postura rígida do terapeuta, mas nunca moralista.

Um pouco de ciúmes dizem que apimenta o relacionamento e acredito ser saudável. Mas quando o ciúmes se torna patológico e apresenta agressões físicas, verbais e acaba virando uma relação difícil, sofrida ou perigosa pra um dos parceiros, é necessário urgentemente intervenção psicológica e/ou legal com advogados para que a segurança do parceiro agredido seja restabelecida.

Por : Marcelo C. Souza

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8 perguntas sobre Transtornos Alimentares

1 ) Apesar de serem mais comuns na adolescência, a anorexia e a bulimia podem aparecer depois dos 30 anos?
R – Sim, é possivel aparecer a bulimia e Anorexia depois dos 30 anos. Um exemplo disso é aquela moça que participou do BBB. Lembra que ela era bulimica e foi exposto ao pais todo atravez do programa ? É mais comum na adolescencia pela propria caracteristica da adolescencia. Mas nada impede a manifestação tardia.

2) Há alterações corporais que podem levar a essas doenças após os 30 anos? Quais e por quê?
R – Apesar de ter muita gente tentando fazer uma relação entre neurotransmissores e psicopatologias. Eu acredito que no caso da Anorexia e bulimia a maior alteração é ambiental ( Socio – Historicas ) e sustentada por contingencias propricias ao aparecimento do problema. Contingencias essas que podem ser familiares e culturais ou as duas ao mesmo tempo. Filogeneticamente nao faz sentido o comportamento de emagrecer o maximo possivel por auto imagem corporal ou jogar pra fora o alimento que vai sustentar. Mas culturalmente faz todo o sentido analisando as contingencias que sustentam a nossa cultura do que é e o que nao é esteticamente bonito. Cabe dizer que recentes estudos parecem demonstrar que a Anorexia tem um fundo genetico.

3) Que sintomas mostram que a pessoa está com bulimia ou anorexia?
R – No caso da Anorexia se percebe mais frequentemente uma baixa de energia e de atividades no começo. Como a pessoa nao se alimenta, ela nao tem energia para realizar tarefas. Esta sempre cansada e dorme com dificuldade.
Tambem se percebe que a pessoa começa a se recusar a almoçar ou comer na presença de pais ou amigos. Depois de um tempo, geralmente o 1º mes, a perda de peso é muito evidente. Nesse caso é importante ficar alerta pois pode estar sinalizando o problema. Geralmente pais e professores tendem a ignorar o problema por achar que é “coisa da idade”. Quando percebem infelizmente o problema ja esta em um estagio avançado e nao é raro que a pessoa chegue a inanição e morra ou que tenha problemas permanentes de saude com danos ao coração e rins principalmente. Um outro fator importante é que a menstruação para.
No caso da Bulimia fica bem mais complicado perceber. Pois a pessoa se alimenta normalmente e depois se utiliza de estrategias como os laxativos e a indução do vomito. É frequente na Bulimia que apareça com o Comer Compulsivo. Onde a pessoa ingere enormes quantidades de alimento como 30 mil calorias em 10 minutos e para lidar com a ansiedade e a culpa acaba induzindo o vomito ou usando laxantes poderosos. Alguns sinais podem ser percebidos como fraqueza, caimbras, hemorragias no estomago e esofago e a destruição completa dos dentes pelos efeitos dos acidos do estomago.

4) Até quantos quilos as pessoas com esses distúrbios chegam a perder?
R – Geralmente começam a perder peso e só param quando sao forçadas a comer ou chegam na inanição e precisam de internação para alimentação. Nao existe um parametro, mas existem mulheres com 27 anos pesando 30 Kgs. É chocante mesmo.

5)As mulheres costumam apresentar mais esse tipo de doença. Há estimativas de qual porcentagem das mulheres apresentam esses distúrbios?
R – Quando falamos em Anorexia e Bulimia a estimativa é que entre 85% a 95% dos portadores sao do sexo feminimo. No homem tambem acontece. Mas no homem a frequencia da Vigorexia é muito mais alta.

6) As causas são psicológicas ou físicas (ou ambas)? É possível definir qual o peso de cada um desses fatores?
R – As causas sao multifatoriais. Estudos mostram que tem um fundo genetico nos transtornos alimentares. Mas fatores como alterações hormonais de certos agentes ( Serotonina – Dopamina – Noradrenalina e outros hormonios relacionados tambem ao comportamento alimentar ), causas Psicologicas e Sociais/culturais tem uma grande parte no aparecimento e desenvolvimento do problema. Nao é possivel definir o peso de cada uma delas pois cada paciente é unico e é preciso alem de enchergar a topografia do comportamento, observar a função do comportamento. Todas as pessoas tiveram um historico de vida diferente, portanto o que aconteceu como gatilho para uma pessoa nao aconteceu para a outra. É preciso analisar cada caso como um caso unico.

7) Por que é tão difícil se livrar dessas doenças? Quais as principais dificuldades?
R – É muito dificil lidar com a Anorexia e a Bulimia pois estao sempre acompanhadas de Depressão e ansiedade muito alta. O tratamento é aversivo pois temos que fazer a pessoa comer e ganhar peso contra a vontade dela. O tratamento fica muito complicado por que ele é forçado, nao temos a ajuda do paciente. Muitas vezes a alimentação é feita por tubos direto no estomago. A alimentação é especial tambem, ja que o corpo nao tem força nem para digerir alimentos solidos. Geralmente a dieta nos casos mais graves é pastosa .Dentre os transtornos mentais a Anorexia e a Bulimia sao os que mais matam. Seja por decorrencia direta do transtorno como uma parada cardiaca por falta de potassio ou pelo suicidio.
Estatisticas mostram que de 10 a 15% dos pacientes com esse transtorno vao morrer antes ou durante o tratamento e que 2 a 5% vao cometer suicidio. Só nos EUA, cerca de 100 mil mulheres morrem por ano em decorrencia da Anorexia. A pessoa com anorexia ou bulimia tem uma auto estima muito fragil e podem se tornar violentas e muito agressivas quando confrontadas. Geralmente aparece o Transtorno Dismorfico Corporal. O que piora mais ainda o problema. Algumas anorexicas podem apresentar comportamentos Psicoticos tambem.

8 )Quais as consequências físicas e psicólogicas para quem enfrenta um desses distúrbios?
R – O tratamento da anorexia envolve varios profissionais. Psicologo, Psiquiatra, Nutricionista etc…
Dependendo do estagio do problema algumas marcas sao irreversiveis. Danos ao coração, rins, figado por falta de vitaminas em tempo prolongado. Ulceras tanto no estomago quanto no esofago provocadas pelos acidos do estomago, destruição completa dos dentes e calosidades dos dedos. Os danos psicologicos tambem sao marcantes. É necessario intervenções psicoterapicas ( a Psicoterapia Comportamental e a Comportamental Cognitiva tem os melhores resultados observados ) intensas no sentido de lidar com a Frustração, auto estima, depressao, ansiedade, compulsao, ideação suicida entre outros problemas graves.

A anorexia e a bulimia são transtornos serissimos que infelizmente nao é dado valor que merece. Principalmente pelos meios de comunicação. E para piorar, ainda existem grupos pró Anorexia e pró Bulimia. Sao pessoas que precisam de tratamento e só com informação vamos mudar o quadro.

Por : Marcelo C. Souza

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Como Obama está usando a ciência da mudança

“Estou lhe pedindo para acreditar.
Não apenas na minha habilidade
para promover mudanças em Washington…
Estou pedindo para você acreditar
na sua própria capacidade de mudar”

Barack Obama
Mensagem em destaque na página oficial de Obama

Duas semanas antes do dia de eleição, a campanha de Barack Obama mobilizou milhões de adeptos; era um pouco tarde para começar a reescrever o getout-the-vote (“GOTV” – expressão utilizada em língua inglesa para se referir a campanhas pra estimular possíveis eleitores de um candidato a votar, já que o voto é facultativo nos EUA.) . “MASSS…”, escreveu o diretor adjunto de campanha Mike Moffo para a coordenação nacional de GOTV de Obama, “…e se eu lhe dissesse que uma equipe mundialmente famosa de gênios cientistas, psicólogos e economistas já descreveram as melhores técnicas para um programa de GOTV?!?! Vocês estariam interessados em, pelo menos, dar uma olhada?” Claro que estariam!
Moffo enviou 0rientações e um exemplo de programa formulado por um conselho de cientistas comportamentais, um grupo consultivo “secreto” formado por 29 eminentes comportamentalistas dos EUA. A principal diretriz foi uma mensagem simples: “Uma grande participação dos eleitores é esperada”. Isso porque estudos realizados pelo psicólogo Robert Cialdini e outros membros de sua equipe que tinham encontrado o mais poderoso motivador para que clientes de hotéis reutilizem toalhas, para que os visitantes de parques nacionais se mantenham nas trilhas demarcadas e para que os cidadãos vão votar é a sugestão de que todos estão fazendo isso. “As pessoas querem fazer o que acham que outros irão fazer”, afirma Cialdini, autor do Best Seller Influence (Influência). “A campanha de Obama realmente teve isso.”
A existência deste dream team (time dos sonhos) de cientistas comportamentais – que também incluiu os famosos Dan Ariely do MIT (Autor de “Irracionalidade previsível”) e Richard Thaler e Cass Sunstein da Universidade de Chicago, bem como Prêmio Nobel Daniel Kahneman de Princeton – nunca foi divulgado publicamente, apesar de seus membros terem apresentado mensagens de apoio e doações públicas para a campanha de Obama, bem como auxiliado em mobilização de eleitores. Todas as propostas da equipe – entre elas a famosa loteria online para arrecadação em que pequenos eleitores concorriam à chance de ter um encontro presencial com Obama – vieram com notas de rodapé citando dados de pesquisas científicas relacionadas. “Foi incrível ter estas propostas nos dizendo o que fazer e a ciência por trás delas”, diz Moffo à revista TIME. “Esses caras realmente sabem como fazer as pessoas votarem”.
Presidente Obama continua confiando na Ciência Comportamental. Mas agora sua Administração a está utilizando para transformar o país. Pois quando você sabe o que faz as pessoas irem votar, é muito mais fácil ajudá-las a promover a mudança.

O FATOR “CUTUCADA”
Todos sabemos que Obama ganhou a eleição por parecer mudança, soar como mudança e nunca parar sua campanha por mudança. Mas ele não declarava mudança apenas em Washington – ou mesmo mudança apenas nos Estados Unidos. A partir de suas declarações de que “mudança vem de baixo para cima” para suas advertências acerca de “uma era de profunda irresponsabilidade”, Obama apelou à mudança nos americanos [de seus comportamentos]. E não apenas em banqueiros e agentes de seguro – mas em todos nós. Seu mantra “nós somos a mudança que estávamos esperando”, pode parecer como um dialeto da hora, mas estava de fato no cerne de sua agenda.
Na verdade, Obama está apostando sua presidência em nossa capacidade de mudar nossos comportamentos. Suas principais prioridades – economia, saúde e energia – dependem disso. Temos de gastar mais dinheiro agora para evitar uma depressão financeira a curto prazo e, em seguida, guardar mais dinheiro mais tarde, para garantir o futuro econômico de longo prazo. Temos que consumir menos energia para reduzir as nossas importações de petróleo e as emissões de carbono, bem como nossas despesas domésticas. Precisamos parar de fumar e evitar outros comportamentos arriscados que trazem danos à saúde das pessoas e aumentam os custos dos cuidados de saúde que estão devastando a “saúde fiscal” do país. Basicamente, nós precisamos fazer melhores escolhas – sobre hipotecas e cartões de crédito, seguros e planos de aposentadoria – assim não precisaremos de ajuda pelo caminho.
O problema, como qualquer pessoa que tenha um parente guloso ou um alcoolista na família, ou que estoura constantemente o limite do cartão de crédito sabe, é que velhos hábitos são difíceis de mudar. A tentação é forte. Nós somos fracos. Temos abundância de gurus, apresentadores de TV e celebridades nos dizendo para poupar energia, perder peso e viver com nossos próprios recursos, mas ainda estamos dependentes do petróleo, comida gordurosa e dívidas financeiras. É justo perguntar se somos mesmo capaz de mudar. Mas as descobertas recentes da ciência sugerem que sim, nós podemos.
Estudos de todos os tipos de fragilidades humanas estão revelando meios para ajudar pessoas a mudar – não só através de regras ou bonificações financeiras, mas também por meio de sutis incentivos que preservam a liberdade de fazer escolhas ao mesmo tempo que nos encoraja a tomar melhores decisões, desde a adesão a planos de aposentadoria que nos exigem optar por poupar ou não por uma boa aposentadoria a aparelhos que nos avisam quanta energia estamos consumindo. Esses incentivos podem desencadear grandes mudanças; em 2001, uma pesquisa mostra que apenas 36% das mulheres aderiram a planos de aposentadoria quando tinham que se inscrever por ele, mas quando eram automaticamente inseridas em um plano de aposentadoria [sem nenhum trabalho para se inscrever e tendo a opção por não aceitar], 86% optavam por aderir ao plano.
Não é por acaso que o orçamento do Obama propõe um programa ambicioso de matrícula automática em pensões aos locais de trabalho que não oferecem planos de aposentadoria, ou que seu pacote de estímulo econômico tem bilhões de dólares destinados para aparelhos que controlam consumo de energia. Ciência comportamental – em especial o crescente domínio da economia comportamental que foi popularizada pelos livros Freakonomics, The Wisdom of Crowds, Predictably Irrational, Nudge and Animal Spirits, que são os mais lidos no “mundo de Obama” – já estão modificando dezenas de políticas administrativas. “Isso realmente se aplica a todas as grandes áreas em que precisamos mudar”, diz o diretor do orçamento de Obama, Peter Orszag.
Orszag foi um descarado geek [excentrico] comportamental desde que ele leu o estudo que embasa o programa de aposentadoria “401 (k)”. Seu substituto, Jeff Liebman de Harvard, é um importante economista comportamental, como também são o conselheiro econômico da Casa Brancaro Austan Goolsbee da Universidade de Chicago, o Secretário Adjunto do Tesouro Alan Krueger de Princeton e vários outros de seus principais assessores. Sunstein, foi nomeado para ser regulamentador do governo Obama. Mesmo o diretor do Conselhor Econômico Nacional Larry Summers tem feito trabalhos em finanças comportamentais. E o economista de Harvard Sendhil Mullainathan está organizando uma rede independente de peritos comportamentalistas para apresentar idéias políticas à Administração Federal.
Obama aprecia a motivação humana relacionada à organização social, e sua retórica muitas vezes soa como se fosse extraída de um livro sobre comportamento. Ele também leu o livro Nudge, que inspirou-lhe para escolher o seu amigo Sunstein – mais conhecido como um estudioso constitucional – para coordenar o Serviço de Informação e Assuntos Regulamentares, o obscuro mas influente departamento do Instituto de Gestão e Orçamento Federal, onde as regulamentações federais são revistas e reescritas. “Cass é uma das pessoas na Administração que ele melhor conhece”, diz Thaler, fundador do campo da economia comportamental e co-autor do livro Nudge. “Ele sabia o que estava fazendo quando deu a Cass esse trabalho.”
O primeiro sinal da mudança comportamentalista no governo veio à tona em 1 de abril, quando os americanos começaram a receber 116 bilhões de dólares provenientes de cortes de impostos de folha de pagamento pelo pacote de estímulo a economia. Obama não está enviando o retorno dos impostos pagos em apenas um cheque anual. Razão para isso: o objetivo do pacote é incentivar os gastos dos consumidores, e as pesquisas mostram que somos mais propensos a poupar dinheiro ao invés de gastá-lo quando recebemos uma grande quantia. Em vez de entregar uma grande quantia única aos trabalhadores, Obama assegurou que os cortes fiscais serão pagos por meio de deduções graduais, de forma que o dinheiro chega como um pequeno aumento no salário do trabalhador. A idéia, explica um assessor, está em estimular as pessoas a gastar o dinheiro extra.
Os esforços de Obama para nos mudar, implica em um sério risco político. Republicanos já rotularam como um Estadobabá, como um elitista Big Brother nos ensinando como encher pneu do carro ou que deve-se ler para nossos filhos. Temos um presidente eleito, e não um terapeuta, e talvez não queiramos que os funcionários eleitos desafiem nosso direito de sermos preguiçosos e gastar muito tempo vendo televisão.
As intervenções de Obama parecem valorizar estratégias que preservam mais a livre-escolha do que regulamentações rígidas, concepção que Thaler e Sunstein, co-autores de Nudge, chama de “paternalismo libertário”. Mas, ainda assim, continua sendo um tipo de paternalismo, e Sunstein terá agora o poder de colocá-lo em ação. A idéia de que funcionários públicos, ainda que bem intencionados, tentem modificar nossos comportamentos individuais para produzir mudanças pode nos parecer um pouco assustadora.
Encare isso: Obama tem razão. Nossas emissões de carbono estão fervendo o planeta e a maior parte da energia gasta é em desperdícios. As despesas com Saúde estão quebrando as Finanças do estado, e a maior parte dos motivos que fazem as pessoas irem ao médico são relacionados a comportamentos inadequados. Nós realmente precisamos mudar, e sabemos muito bem disso.
Então, por que nós não mudamos? E como poderíamos mudar? Os comportamentalistas tem idéias, e o Governo está escutando.

ECONOMIA PARA O MUNDO REAL
Obama se comprometeu que a regulação do sistema financeiro seria baseado “não em modelos abstratos… mas no conhecimento disponível sobre como as pessoas atualmente tomam decisões financeiras”. Está é uma forma clara de dizer que essa regulação será orientada pela economia comportamental e não pela economia neoclássica.
A economia neoclássica – Outra especialidade da Universidade de Chicago – já tem governado nosso mundo durante décadas. É a doutrina que os mercados melhor conhecem: quando o Governo mantém suas mãos longe das empresas, o capital migra para campos mais produtivos e a sociedade prospera. Mas esse elegante modelo depende de uma ousada suposição: decisões racionais tomadaspor pessoas com interesses particulares criam mercados eficientes. A Economia Comportamental contesta esse pressuposto e o atual colapso financeiro acabou de despedaça-lo de vez; mesmo o antigo presidente do FED (Reserva Federal do Tesouro Americano) Alan Greenspan confessou que a visão de mundo da Escola de Chicago foi abalada. “Nós não poderiamos ter planejado melhor campanha de marketing para Economia Comportamental.
A Economia Comportamental não ignora as forças do mercado explicadas pelas diciplinas básicas de Economia , mas explicita conhecimento tradicionalmente estudado nas disciplinas básicas de Psicologia. Os comportamentalistas sempre souberam que, na verdade, homens não agem como o modelo super-racional do Homo Economicus da visão de mundo neo-clássica. São anos de estudos sobre pacientes que não tomam seus medicamentos, de adultos que mantém relações sexuais sem proteção, além de várias outras decisões imperfeitas dos homens que explicitam a irracionalidade do Homo Sapiens. Algumas de nossas irracionalidades são muito específicas, tais como uma supervalorização das coisas que temos, excessivos alimentos em grandes depósitos, superestimar a probabilidade de eventos improváveis – o que fez a a campanha de arrecadação de fundos via loteria eletrônica “Conheça o barack Obama” ser uma idéia inteligente. Mas, em geral, somos ignorantes, míopes e temos tendência a manter o status quo. Nós não somos tão inteligentes quanto Larry Summers. Nós procrastinamos. Nossos impulsivos ids esmagam a lógica de nossos superegos. Planejamos perder peso, mas ooh – um bolo! Somos especialmente irracionais em relação ao dinheiro; pagamos mais pela mesma coisa se pudermos usar um cartão de crédito, se pensarmos que está em promoção, ou se é comercializado junto a fotos de mulheres bonitas. Não é de estranhar que solicitamos financiamentos que não podemos pagar. Não é de estranhar que nossos banqueiros aprovam tais financiamentos.
“Nós realmente queremos fazer melhores escolhas”, explica o economista Dean Karlan de Yale. Ele é co-fundador da stickK.com, em que usuários fazem “contratos de compromisso” para dar dinheiro pra caridade ou amigos – ou mesmo para “anti-caridade” que eles desprezam – caso não consigam atingir seus objetivos pessoais como parar de fumar e perder peso. “Mas nós precisamos de ajuda para conseguir conquistar nossos objetivos”.

A NECESSIDADE DE SABER
O primeiro passo é o conhecimento. Estudos sugerem que melhores informação – sejam a partir de anúncios de serviço público, representadas por personalidades respeitadas, ou mesmo em novelas para ajudar a reduzir gravidez na adolescência e outros males sociais nos países em desenvolvimento – pode nos ajudar a fazer melhores escolhas. Houve uma corrida atrás de lâmpadas com melhor eficiência energética após Oprah indicar aos espectadores de seu programa para comprá-las, do mesmo modo, a hora na Casa Branca de Michelle Obama estimula pessoas aos produtos frescos. Nós não percebemos que deixar nossos carros em marcha lenta consome mais energia do que liga-los e desliga-los, ou que a granola é rica em gordura. E algumas das nossas escolhas são simplesmente confusas, e é por isso que é tão fácil de tropeçar em taxas ocultas e pagamentos de balões durante um financiamento. Mesmo doutores podem se confundir com toda a papelada de nossa sociedade; Thaler e Sunstein contar uma história em Nudge sobre a luta de um economista saudável para conseguir prescrição de remédios para seus pais.
Nudge valoriza rígidas regras de divulgação e de clareza, para nos ajudar a tomar decisões mais fundamentadas sobre empréstimos para habitação, empréstimos pra financiar educação, cartões de crédito, planos de saúde e planos de aposentadoria. Thaler cita uma ordem executiva, assinada por Obama em seu segundo dia no cargo, em que solicita uma nova transparência nos processos por meio das novas tecnologias. “Isso é exatamente o que estamos a falar”, diz Thaler. “Se em vez das 30 páginas de uma porcaria ininteligível que vem com uma hipoteca, você puder carregá-lo com um clique em um site que irá explica-lo e ajudá-lo a avaliar as alternativas, o processos se torna tão fácil quanto fazer uma compra qualquer.”
Mais informações podem nos tornar mais saudáveis, razão pela qual o pacote de estímulo financeira destinou $ 1,1 bilhões em pesquisas para comparar eficácia de intervenções. Orszag tem pilhas de gráficos que evidenciam que os procedimentos médicos e seus custos variam amplamente em todo o país, mas com pouca clareza sobre o que de fato funciona em saúde pública. Ele pretende documentar as melhores práticas – desde lista de procedimentos em salas de emergência que reduzem drasticamente quantidade de infecções, a protocolos para avaliar quando novos testes ou cirurgias podem de fato ajudar – e, em seguida, implantar tais práticas em todos os serviços médicos públicos. Essa concepção já ajudou os anestesiologistas americanos a reduzir mortes, bem como custos.
Ainda assim, somente informação não é o suficiente para a mudança. Todos nós já sabemos que não devemos fumar ou se entupir de doces, mas o conhecimento não é tão poderoso quanto a motivação; mesmo Summers precisaria perder alguns quilos. Velha piada comportamentalista: Quantos psicólogos são necessários para trocar uma lâmpada? Resposta: Apenas um, mas a lâmpada realmente precisa querer ser trocada.

ISSO VAI SER FÁCIL
Econ 101 (economia tradicional ensinada nas disciplias básicas de graduação) ensina que são os preços dos produtos que promovem mudanças, e é verdade que cobrar 4 dólares pela gasolina nos levaria a dirigir menos. Mas os preços não são tudo.
Essa é a razão pela qual as alternativas que parecem ser o padrão tem tanto poder. A maioria de nós poupará dinheiro para a aposentadoria, executará o computador no modo eficiente de energia e será doador de órgãos se tiver que agir para não fazê-los – mas não os faria se tivesse que tomar alguma medida para fazêlos. Por exemplo, a alguns anos atrás, quase ninguém optou por um serviço alemão de energia limpa até que ele se tornou o padrão. Quando isso aconteceu, 94% da população começou a utilizá-lo. É mais provável que a pessoa vá ao médico para cuidados preventivos, como tomar vacina contra a gripe, se já tiver um horário marcado para fazê-lo. Em um discurso no ano passado, Orszag chegou a sugerir que tivessemos sistema de marcação automática de consultas médicas para a população, tendo a opção de desmarcar a consulta. O próprio Orszag admitiu que isso pode parecer “um pouco esquisito a primeira vista, ou mesmo a segunda vista”, mas o fato é que funciona.
Mas idéias como essas estão para começar. O Governo espera fazer uso da inércia das pessoas para implantar os planos automáticos de pensão, um passo importante rumo a contas de poupança universais, e para diminuir drasticamente a quantidade de requisições de americanos por ajuda financeira do Governo Federal. O esforço pela informatização dos registros de saúde da população – outro importante item do pacote do governo – podem melhorar a relaçao custo-benefício dos procedimentos e medicamentos utilizados em tratamentos. Os idosos que não escolheram planos de saúde ou planos de medicamentos (recurso disponível nos EUA) poderiam ser automaticamente inscritos em planos de baixo custo. “Seria bom se todos nós nos comportássemos como supercomputadores, mas nós não somos assim”, diz Orszag.
Enquanto a equipe econômica de Obama procura por soluções indolores, rápidas e fáceis para nossos instintos sem fáceis explicações, seu discurso frequentemente explicita a importância de nos prepararmos para tolerar algum grau de dor e incômodo. Ele nos convida a não ocultar as pressões, a aceitar que nós estamos em um prolongado desconforto mas sem nos acostumar a ele, e para focar em nossos valores. Isso é muito similar com as premissas básicas da “terapia da aceitação e compromisso” (ou ACT), um dos mais recentes avanços na Psicologia Comportamental. Em vez de ajudar fumantes a ignorar seus vícios ou a pessoas que sofrem dor-crônica a pensar em outras coisas – a velha abordagem da negação – a “terapia da aceitação e compromisso” ensina pessoas a identificar seus pensamentos negativos e, em seguida, a superá-los, concentrando nos valores importantes para a pessoa. Um rápido exame dessa forma de terapia mostra que parece estar ajudando fumantes a parar, obesos a perder peso, pacientes com dor crônica e diabetes a permanecer sem necessidades de internação em hospitais. O psicólogo Steven Hayes, da Universidade de Nevada em Reno, acredita que nossa cultura de prozac tem nos ensinado a evitar qualquer desconforto, deixando-nos relutantes em exercer ou ajustar nossos “termostatos”. Nós supostamente vivemos para estar sempre felizes” (happy-happy-hoo-hoo), diz Hayes. “Obama está tentando nos ajudar a superar isso”.
Mas Obama não é um terapeuta mudando indivíduos, um de cada vez. Ele é um gestor público tentando construir uma comunidade e a inspirar ações coletivas por meio de pequenos grupos ou por recursos tecnológicos como o Facebook, bem como por meio de seus discursos sobre os valores partilhados pela nação. Em outras palavras, ele está tentando criar normas sociais – promover mudanças comportamentais de larga escala no país.

TODO MUNDO FAZENDO!
Que mensagem seria mais apropriada para moradores economizarem energia elétrica: um apelo à sua consciência ambiental, ou um apelo à sua carteira? Cialdini testou essas estratégias em um experimento na cidade de San Diego e a resposta foi: nenhuma delas. O que funcionou foi um apelo à “conformidade”. Os moradores utilizaram menos energia quando disseram a eles que seus vizinhos estavam consumindo menos energia. Somos membros de uma espécie gregária, mais propensos a sermos obesos se as pessoas importantes para si também o são.
Alan Gerber de Yale, em um estudo em 2005, conseguiu aumentar incríveis 8,6% da participação dos eleitos de Michigan nas eleições, por meio de uma única carta com “pressão social” que dizia haver um registro da quantidade de participação da vizinhança em eleições passadas e que na próxima eleição também seria mensurada a participação da vizinhança e que um relatório indicando quem votou nessa eleição seria enviada a todos. (A campanha de Obama chegou a cogitar enviar carta semelhante, mas decidiou não correr o risco de uma reação negativa). E a vergonha também funciona; Mesmo alguns executivos da AIG devolveram seus bônus [financeira que recebeu dinheiro do Governo e o distribuiu sob forma de bônus a seus executivos deflagrando um escândalo nacional]. Cialdini relata que imagens do cérebro mostram que quando pensamos estar fora de passo em relação a nosso pares, a parte do cérebro que registra dor apresenta atividade mais frequente. “Isso é um incrivelmente poderoso incentivo a ação”, diz ele.
As normais sociais ajudam a explicar porque as pessoas não optam por sair de um 401(k) [plano de aposentadoria] quando este é oferecido automaticamente: Não é apenas por sermos demasiadamente preguiçosos para marcar um “x” em um formulário, mas por crer que o padrão é a coisa certa a fazer. O incentivo de Obama por investimentos em calefação para milhões de lares – outro incentivo a gastança – exigirá novas normas. Em Oregon, um programa de incentivo para a troca de janelas e isolamento térmico para casas sem quase nenhum custo tem uma resposta morna. Mas após uma intensa campanha de mobilização realizada por conselhos comunitários, igrejas, grupos de escoteiros que batiam de porta em porta perguntando porque as pessoas ainda não tinham isolamento térmico – 85% das casas no estado foram inscritas no programa. “O que funcionou foi criar um sentimento de que estamos todos juntos nesta e que você será um desviante se não se juntar a nós”, lembra Ralph Cavanagh do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. Esta é a razão pela qual cartões, jornais comunitários ajudam a promover revenção de saúde e porque competições de convervação entre prédios em que moram estudantes ajudam colégios a poupar energia. E é por isso que os funcionários do Governo – depois do efeito “manada” de pessoas retirando desesperadamente seus dinheiros dos bancos com medo que quebrem, citado no livro Animal Spirits – tentam aumentar a confiança dos consumidores em uma norma social.

ÀS VEZES PRECISAMOS DE UM EMPURRÃO
Mas provavelmente nós não gastamos se não tivermos dinheiro. Assim como não é viável utilizar transporte público se não houver nenhum em nosso bairro. O bully pulpit [local em que qualquer cidadão tem voz para reclamar de problemas públicos para o Governo; talvez equivalente as sessões abertas nas câmaras de vereadores no Brasil] tem seus limites – Michelle Obama literalmente tem incentivado o consumo de brócolis, mas ela não tem como faze-lo ter gosto de um delicioso brigadeiro. “Eu adoro nugets, mas as vezes precisamos de mais do que isso”, diz Mullainathan de Harvard. As vezes precisamos de um empurrão. As pesquisas mostram que a mudança pode acontecer quando é fácil e popular, mas torná-la lucrativa – ou até mesmo obrigatória – pode fazê-la acontecer com mais certeza.
Esta é a razão pelo recente interesse do Estado na tributação da gasolina, bebidas alcoolicas, eletricidade e até mesmo em produtos com gordura trans para desencorajar comportamentos inadequados enquanto ao mesmo tempo se fecham as lacunas no orçamento. Obama já elevou os impostos sobre cigarros e tem planos para acabar com a ausência de impostos para a extração de petróleo e para offshoring [internacionalização da produção de bens, visando mão de obra e impostos menores em outros países, como a China]. Obama parece estar ainda mais ansioso para diminuir a carga de impostos sobre comportamentos desejáveis como poupar dinheiro, atividades relacionadas ao ensino, climatização de ambientes, compra de carros eco-eficientes e de equipamentos que economizem energia. Obviamente, sua política energética vai além de incentivos; quer uma rigorosa limitação na quantidade de emissões de carbono. Obama também já sinalizou o criação de um programa nacional de plano de saúde obrigatório para todos os americanos.
Se o modelo econômico neoclássico solicitava que o Governo nos deixasse em paz para fazer o que queremos, a Economia Comportamental abre espaço para o Governo nos ajudar a fazer aquilo que faríamos se fossemos pessoas racionais. Infelizmente, as características que tem detonado Washington nos últimos anos – inércia, negação, alergia a complexidade, preferência pelas gratificações a curtoprazo ao invés dos planejamentos a longo-prazo – são nossos próprios pontos fracos. Os membros do Congresso também são pessoas; eles provavelmente também aceitam mudanças apenas quando são fáceis, populares e gratificantes. Nós realmente queremos que eles tentem nos mudar?
Michelle Obama nos advertiu durante a campanha, “[Barack] vai exigir que você acabe com seu cinismo, que você deixe para trás suas fragmentações, que você saia de seu isolamento, que você saia de sua zona de conforto, que você torne a si próprio uma pessoa melhor”. O presidente enfatizou isso em seu discurso de posse, quando pediu aos americanos superar problemas infantis e escolher a esperança ao invés do medo.
Mas nós não precisamos mudar nossos corações assim. Planos de aposentadoria, aplicações financeiras simples, termostatos programáveis e protocolos médicos mais eficientes e com menores custos podem nos ajudar a fazer as coisas certas mesmo que continuemos a ser ignorantes, preguiçosos, gananciosos ou infantis. Não importa se poupamos energia porque nos preocupamos com a Terra, com o próprio dinheiro, ou com nossos vizinhos; o que precisamos é economizar energia. O Governo precisa fornecer as regras certas, os incentivos e empurrões para nos ajudar a fazer escolhas certas. Será muito bom se Obama conseguir mudar nossas normas sociais para que formas mais sustentáveis e ecológicas de vida, alimentação saudável e uma maior responsabilidade financeira sejam a nova identidade do povo americano. Mas para isso não basta mudar as leis em Washington. Nós precisamos de melhores políticas, não melhores atitudes.
A literatura comportamental nos ajuda a enxergar a loucura humana, e conhecer essa loucura pode até nos deprimir. Mas essa literatura também nos oferece meios de transcender a nossa loucura, meios mais efetivos para lidarmos com nossos ids, para superar nossa conformidade, inércia e fraqueza, para deixarmos de fazer coisas que farão mal a nós mesmos e a nossso país. “No mundo físico, nós compreendemos nossas limitações”, diz Ariely. “Ninguém fica chateado por não podermos voar. Simplesmente pojetamos algo para nós ajudar a voar.” Se Obama nos ajudar a voar para superar nossos maus hábitos, ele vai proporcionar a mudança que precisamos.

Adaptado de: Grunwald, M. (2009). Como Obama está usando a Ciência da Mudança. Em: TIME Magazine. Publicado em 02 de abril de 2009, disponível no site: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1889153-1,00.html. Traduzido por Hélder Lima Gusso, com versão em língua portuguesa disponibilizada no site: www.sasico.com.br/psico/?p=287. Postagem pessoalmente autorizada pelo tradutor.

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Poesia sob controle da audiência

Recentemente tive conhecimento de um autor aqui da região chamado Marcelo Ariel. Ele lançou um livro chamado “Tratado dos Anjos Afogados” em que registrou os poemas compostos em seus vinte anos de carreira. Uma das características do autor é que o que ele escreve é bastante alternativo. Conversando com um professor de redação, a característica de misturar diversos elementos inusitados faz de Marcelo Ariel um autor interessante. Num mesmo poema ele mostra influência de Platão, filmes da moda, eventos da história mundial e situações cotidianas. Aí perguntei pro professor por que isso é interessante e ele disse que este é um jeito diferente de escrever, sem compromisso com os estilos literários e poéticos. Isso me fez pensar no controle da audiência modelando o comportamento de um escritor.
Veja um dado curioso da vida do Marcelo Ariel. Ele começou a escrever na época quando ajudava a mãe nos cuidados de um irmão esquizofrênico. Os dois iam para a biblioteca de Cubatão, Ariel lia de tudo e escrevia algo para o irmão ler. O irmão, esquizofrênico, fica sob controle de estímulos que apresentem relação de oposição (minha leitura comportamental da esquizofrenia, tradicionalmente descrita como uma cisão com a realidade), ou seja, vai ouvir e atentar para aquilo que for diferente, diverso, sem coerência, sem lógica. Supondo que a atenção do leitor é o reforçador para o comportamento de escrever, e que o leitor em questão atenta para aquilo que exibe oposições, poemas “mix” são selecionados.
É bem o oposto do que acontece com um literato sujeito à academia, por exemplo. A comunidade acadêmica está sob controle de todo o produto agregado das pessoas que se comportaram em milhares de anos da história da literatura. Várias formas de escrever já foram selecionadas e várias outras já foram extintas, sendo que o escritor hoje é reforçado quando escreve aquilo que esta comunidade específica aprova – e a coerência parece ser um critério tradicional para o reforço.
Este é o dilema de Marcelo Ariel, se sua audiência o modelou a escrever poemas esquizofrênicos, ele não pode ser compreendido pela academia da literatura. Porém, o terceiro nível de seleção também está sujeito a alterações. Uma vez que uma variação passe a contribuir para a comunidade obter reforço (no caso, pela denúncia questões sociais relevantes, reforço negativo), tal prática cultural pode ser selecionada. Poemas esquizofrênicos que contribuam para o alívio do sofrimento humano pelo apontamento de dilemas sociais podem vir a ser importantes e impactantes. Talvez por isso o professor de redação a que me referi no começo do post esteja interessado em comprar o livro de Ariel.
Se quiserem conhecer Marcelo Ariel, assita sua entrevista no programa Entrelinhas aqui.
Marcelo Ariel tem um blog, o Teatrofantasma, se quiser conferir, clique aqui.

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Problemas nos estudos da neurociência

Eu, particularmente, tenho uma relação de amor e ódio com a neurociência. Penso que é uma disciplina fantástica, que vai desvendar fenômenos importantes do funcionamento humano. Por outro lado, penso que é uma disciplina que tende a esquecer a onipresença do ambiente sobre o controle do comportamento. Sobre isto, falarei em outro texto.

A bola da vez é uma recente pesquisa que coloca em cheque estudos que utilizaram imageamento cerebral como principal método de coleta de dados. De acordo com essa pesquisa, muitas das correlações entre comportamentos e ativações neurais (verificadas via imageamento cerebral) está incorreta. Ou seja, é bastante provável que muito do que se conhece sobre o funcionamento do cérebro está errado.

A fonte da notícia está aqui. A pesquisa (em inglês) está aqui.

Como bem colocado pelo autor da notícia, a pesquisa não invalida o método de imageamento. Ela apenas mostra que é necessário tomar cuidado redobrado na análise dos dados obtidos.

Robson Faggiani

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Terapia Comportamental – Análise Funcional – avaliação

Pode-se dizer que a análise funcional é o centro da terapia comportamental. Está em todos os passos da terapia: envolve o “diagnóstico” do problema do cliente, o planejamento das intervenções terapêuticas, a sua execução e a avaliação dos resultados obtidos. Além disso, o conceito de análise funcional está ligado à noção de psicopatologia para a análise do comportamento. Por causa da amplitude do tema, vou dividi-lo em dois. Neste primeiro será discutido o caráter diagnóstico da análise funcional. O texto seguinte será sobre intervenção.

grammariansAnálise Funcional

O objetivo da análise funcional é identificar o comportamento-alvo da intervenção (aquele que está inadequado) e os elementos do ambiente que estão ocasionando e mantendo esse comportamento. Interessam (1) o produto do comportamento, (2) seu contexto de ocorrência e (3) as operações motivadoras subjacentes a esse comportamento. Soma-se a esses dados a história de vida do cliente. Em posse das informações, o terapeuta descreve as relações comportamentais objetivamente, permitindo ao cliente interessado acompanhar os passos do diagnóstico e do tratamento.

O diagnóstico é dado em termos de relações comportamentais. Ou seja, especifica-se quais elementos do ambiente estão produzindo o comportamento inadequado. Esse tipo de diagnóstico relacional opõe-se a avaliações tradicionais, que classificam e descrevem o problema do cliente em termos de mal funcionamento mental. No lugar de classificar um problema como depressão, por exemplo, o terapeuta comportamental mostra como o modo de agir chamado de depressivo está relacionado a más condições de vida específicas, passíveis de serem alteradas.

Além disso, o diagnóstico relacional deixa implícito a possibilidade de que as queixas, e problemas, do cliente podem variar no decorrer da terapia; afinal, novas condições de vida geram novos comportamentos. A análise funcional, portanto, considera o comportamento algo fluído e variável; afirma que classificações em termos de doenças podem mascarar essa fluidez, resultando em tratamentos focados em sintomas e não nas relações indivíduo-ambiente.

Forma vs Função
Uma das características importantes da análise funcional é a compreensão do comportamento em termos de suas funções, e não em termos de sua forma (ou topografia). Ou seja, mais importante do que avaliar a resposta em si, ela é considerada no contexto em que está inserida e o que produz para o cliente. Essa estratégia de análise possibilita uma organização mais eficaz do comportamento, pois procura os elementos ambientais por trás das aparências.

Exemplo 1. É possível dar adeus de várias formas diferentes: acenar com a mão, dizer “tchau”, dizer “até logo” ou fazer um movimento com a cabeça. Todos esses comportamentos têm formas diferentes, alguns utilizam a voz, outros partes do corpo, mas todos possuem a mesma função: dar adeus. Sendo assim, diz-se que todos esses comportamentos são funcionalmente equivalentes.

Exemplo 2. Imagine dois garotos. Um deles estuda porque quer ir bem na prova. O outro estuda porque se não o fizer, fica de castigo. A forma, a aparência, do comportamento de estudar é igual para ambos os garotos, mas a função é diferente. A função de estudar, para o primeiro garoto, é aprender. Para o segundo, é evitar problemas. Portanto, esses comportamentos não são equivalentes.

Exemplo 3. Um cliente, na sessão terapêutica, diz que está cansado demais para falar sobre sua semana. A forma da resposta é dizer “estou cansado”, mas uma análise funcional pode revelar que o indivíduo não está de fato cansado, e que seu comportamento tem a função de evitar falar sobre algum problema doloroso ocorrido durante a semana.

Como analisar funcionalmente

Não é possível explicar, caso a caso, como realizar uma análise funcional. No entanto, vale a pena mostrar os passos de uma análise funcional (por enquanto, apenas do processo de avaliação).

1. Observação do Comportamento
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2. Identificação do Comportamento-Problema
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3. Identificação do Produto do Comportamento
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4. Identificação do Contexto de Ocorrência do Comportamento
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5. Identificação das Operações que Motivam esse Comportamento
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6. Ampliar a Análise Funcional do Comportamento

Para mostrar o funcionamento da análise funcional, vale a pena utilizar o exemplo 3 acima: o cliente que chora na terapia. Vamos ver passo a passo.

1. Observação do Comportamento
Nesse exemplo, o terapeuta já tem um certo conhecimento do cliente. Conhece suas dificuldades particulares. Sabe, por exemplo, que o cliente frequentemente evita falar sobre si mesmo.

2. Identificação do Comportamento-Problema
Normalmente, há vários comportamentos que merecem intervenção. Nesse exemplo, um dos comportamentos-problema identificados é “evitar falar sobre si mesmo”. Essa é o comportamento descrito funcionalmente, mas ele pode ocorrer de diversas formas diferentes (com variada topografia): dizer “estou cansado”, chorar, faltar à sessão, desviar o assunto, etc. Todas essas formas têm para o cliente a mesma função de evitar conversas sobre si mesmo.

3. Identificação do Produto do Comportamento
Os comportamentos de evitação, quando efetivo, produz consequências que o mantêm: o indivíduo escapa de falar sobre si mesmo; evita falar sobre assuntos dolorosos, deixando o cliente longe do sofrimento. Apesar de cumprir seu objetivo, esse comportamento impede o cliente de lidar com seus problemas.

4. Identificação do Contexto de Ocorrência do Comportamento
Geralmente, o contexto em que esse comportamento ocorre é a presença de situações nas quais o cliente é incentivado a falar sobre a sua vida. Sabendo disso, é fácil fazer com que o comportamento de evitação aconteça ou não.

5. Identificação das Operações que Motivam esse Comportamento
Provavelmente, a motivação do cliente que evita falar sobre si mesmo é o medo de revelar seu passado e seus pensamentos. É possível supor que coisas desagradáveis ocorreram em sua vida. Alternativamente, é possível que o cliente, no passado, tenha sido ridicularizado quando se expôs.

6. Ampliar a Análise Funcional do Comportamento
Em posse das informações obtidas nos passos anteriores, o terapeuta é capaz de ampliar a análise funcional, acrescentando ou retirando comportamentos e elementos ambientais importantes para compreender o cliente. Por exemplo, se for descoberto que a evitação ocorre por conta de fatos desagradáveis, o foco da análise e da intervenção deve ser os pensamentos e sentimentos do cliente sobre esses fatos. Caso a evitação ocorra porque o cliente foi ridicularizado quando se expôs no passado, o foco de análise e intervenção deve ser o comportamento social.

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Isso encerra esse primeiro texto sobre análise funcional.

Caso queira saber mais sobre a idéia de não classificar o cliente em termos de doenças mentais, este texto sobre psicopatologia pode ajudar. Para se aprofundar mais na idéia, recomendo este texto sobre normalidade e anormalidade.

Robson Faggiani

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Psicologia vs Terapias Alternativas

Durante a minha aula de Ética Profissional, ocorrida hoje, discutimos, eu e os alunos, o problema das terapias alternativas. Baseado na conversa com os alunos, decidi escrever um pequeno texto sobre o assunto. Clique aqui para ler o texto inteiro.

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